A doença renal crônica avança de forma silenciosa no Brasil e, muitas vezes, sem que o paciente perceba. Estimativas apontam que mais de 10 milhões de brasileiros convivem com algum grau de comprometimento da função renal, frequentemente sem diagnóstico.

Mesmo entre os casos já identificados, o impacto sobre o sistema de saúde é significativo. Atualmente, mais de 170 mil pessoas realizam diálise no país, número que cresce gradualmente a cada ano e evidencia os desafios relacionados ao tratamento e ao acompanhamento desses pacientes.

Diante desse cenário, ampliar o acesso à informação e incentivar a prevenção torna-se essencial. Foi com esse propósito que o Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP) promoveu uma ação de conscientização na Unidade Básica de Saúde Py Crespo, em Pelotas. A atividade reuniu profissionais de diferentes áreas para orientar pacientes sobre saúde renal.

A mobilização integrou as atividades do Dia Mundial do Rim, celebrado em março. Em 2026, a campanha internacional propõe a reflexão em torno do tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, apresentado pela Sociedade Brasileira de Nefrologia.

Enquanto aguardavam atendimento na unidade, pacientes receberam orientações sobre prevenção, fatores de risco e hábitos que ajudam a preservar o funcionamento dos rins. A ação contou com uma equipe multiprofissional do Hospital, formada por nutricionistas, psicólogos e outros profissionais da área da saúde. O objetivo foi ampliar o entendimento da população sobre como condições bastante comuns, como hipertensão, diabetes, obesidade e sedentarismo, podem contribuir para o desenvolvimento da doença renal crônica.

Dados do Ministério da Saúde indicam que a enfermidade costuma evoluir de maneira silenciosa e pode permanecer sem sintomas por anos. Por isso, muitos pacientes descobrem o problema apenas em estágios mais avançados. Durante a atividade, os profissionais também reforçaram medidas importantes de prevenção, como manter a pressão arterial controlada, adotar uma alimentação equilibrada, praticar atividades físicas regularmente e realizar acompanhamento médico periódico.

A nefrologista Ivanise Duarte, do HUSFP, explica que a proposta da ação foi aproximar informações essenciais da comunidade atendida pela unidade. Entre as orientações destacadas está a realização periódica de exames que ajudam a avaliar a saúde dos rins, como a creatinina sérica, utilizada para estimar o funcionamento renal, e o exame de urina, capaz de identificar alterações no sedimento urinário e possíveis perdas anormais de substâncias, sinais que podem indicar comprometimento da função renal.

A atividade também reforçou que a prevenção não depende apenas de atitudes individuais. Uma rede de atenção à saúde estruturada, com acesso à informação e acompanhamento contínuo da população, é parte fundamental desse processo.

O alerta, no entanto, é global. Um estudo publicado na revista científica Nature Reviews Nephrology aponta que, até 2040, a doença renal crônica pode se tornar a quinta principal causa de morte no mundo caso medidas de prevenção e diagnóstico precoce não sejam ampliadas. Nesse contexto, iniciativas educativas em unidades básicas de saúde assumem um papel estratégico. Elas aproximam os serviços da comunidade e ajudam a transformar informação em cuidado, muitas vezes antes mesmo que a doença se manifeste.