Uma cirurgia de alta complexidade realizada nesta semana no Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), em Pelotas, marcou mais um avanço da instituição na área da neurocirurgia e reforçou a utilização de técnicas minimamente invasivas aplicadas ao tratamento de lesões cerebrais. O procedimento, conduzido por uma equipe multidisciplinar, utilizou a chamada técnica transesfenoidal endoscópica, abordagem realizada por via nasal e indicada para tumores localizados na hipófise e em outras regiões da base do crânio.
A intervenção foi coordenada pelo neurocirurgião Rafael Sodré, ao lado do otorrinolaringologista Otávio Dode e dos neurocirurgiões Antonio Delacy Vial e Guilherme Gago. No caso tratado, o paciente havia sido encaminhado por um endocrinologista após apresentar alterações hormonais que levaram à identificação de uma lesão hipofisária.
Segundo Sodré, a cirurgia realizada foi uma “Cirurgia Transesfenoidal para Tumor de Hipófise”, técnica que permite acessar estruturas profundas do cérebro sem a necessidade de grandes incisões cranianas. O procedimento ocorre por meio do nariz, utilizando vídeo-endoscopia de alta definição, tecnologia que possibilita à equipe alcançar a base do crânio com precisão e menor agressão cirúrgica.
“A técnica é realizada em conjunto pelas equipes de neurocirurgia e otorrinolaringologia, permitindo um acesso seguro e minimamente invasivo até regiões delicadas da base craniana, onde estão localizadas diversas lesões que antes exigiam procedimentos muito mais extensos”, explica o especialista.
Ao contrário das abordagens tradicionais, que frequentemente demandam abertura do crânio e maior manipulação cerebral, a cirurgia endoscópica por via nasal reduz significativamente o impacto físico do procedimento, favorecendo uma recuperação mais rápida e confortável. Entre os principais benefícios estão a diminuição da dor pós-operatória, menor tempo cirúrgico, redução do risco de complicações e ausência de cicatrizes visíveis.
Além disso, a técnica representa um importante ganho funcional para os pacientes, especialmente em casos nos quais o tumor provoca compressão das vias ópticas ou alterações hormonais importantes, sintomas frequentemente associados às lesões da hipófise. Conforme explica Sodré, muitos pacientes chegam ao diagnóstico após manifestações clínicas relacionadas ao desequilíbrio hormonal, embora perdas visuais progressivas também possam surgir à medida que a lesão cresce e pressiona estruturas próximas ao cérebro.
No procedimento realizado no HUSFP, a equipe conseguiu retirar o tumor com sucesso, e o paciente despertou ainda na sala cirúrgica, sem sequelas neurológicas ou alterações decorrentes da abordagem empregada, resultado considerado altamente positivo pela equipe médica.