Realizado pela primeira vez na instituição, o procedimento representa um avanço na assistência especializada e reforça a capacidade técnica das equipes do Hospital no atendimento pediátrico de alta complexidade.
O Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP/UCPel) realizou, uma cirurgia de correção de escafocefalia em um bebê de 8 meses. O procedimento foi conduzido pelo neurocirurgião Eduardo Schuch. Por ser um tratamento pouco disponível fora da capital, a cirurgia costuma ser feita em Porto Alegre, e sua realização no HUSFP representa um avanço para pacientes que precisam dele sem ter de se deslocar.
O que é a escafocefalia
De acordo com o médico, a cirurgia é para correção de cranioestenose, nesse caso uma escafocefalia que é uma condição rara em que uma das suturas do crânio, a sagital, se fecha antes do tempo. As suturas cranianas são as linhas do crânio do bebê que ajudam na modelagem da cabeça. Nos pontos onde essas linhas se cruzam, elas formam e delimitam a fontanela, popularmente conhecida como moleira. Com a sutura sagital fechada, os ossos não conseguem se expandir para os lados, e o crânio cresce de forma alongada, da frente para trás, deixando menos espaço para o cérebro se desenvolver.
Além da alteração estética, estudos associam a condição a uma chance maior de problemas cognitivos no futuro. Segundo Schuch, nem todas as pesquisas confirmam essa relação, e não é possível afirmar que a criança terá algum problema. “Mas é uma chance maior”, explica. A cirurgia busca corrigir esteticamente o formato do crânio e, ao mesmo tempo, evitar possíveis problemas cognitivos.
Como é a cirurgia
Durante a operação, a equipe abre o escalpo do paciente e faz cortes no osso, chamados osteotomias. Como o osso do bebê é mais maleável, ele pode ser remodelado para recuperar o formato adequado e dar espaço para o cérebro crescer.
Por ser uma cirurgia complexa, dura em média de duas a quatro horas, sem contar o tempo de anestesia. Em geral, a criança fica cerca de dois dias na UTI e mais dois no quarto antes de ir para casa.
Diagnóstico precoce
O período ideal para o tratamento é antes de a criança completar 1 ano. Por isso, Schuch reforça a importância do diagnóstico. “É muito importante a gente ter esse tipo de doença diagnosticada o mais precocemente possível para poder ser tratada dentro do período ideal”, destaca.
Avanço para o HUSFP/UCPel
Para o HUSFP/UCPel, a realização desse procedimento representa um avanço importante na ampliação do acesso à assistência especializada na região. A oferta desse tipo de cirurgia permite atender uma demanda que, até então, exigia o deslocamento dos pacientes para Porto Alegre, reduzindo a necessidade de as famílias enfrentarem viagens e os desafios envolvidos no acesso ao tratamento em outro município.
Além de ampliar a capacidade de atendimento em alta complexidade, a iniciativa reforça o compromisso do hospital com a saúde das crianças e o acolhimento de suas famílias, oferecendo a possibilidade de realizar um tratamento especializado mais próximo de casa. Dessa forma, o HUSFP/UCPel fortalece seu papel como referência regional em saúde e contribui para ampliar o acesso a procedimentos que podem fazer a diferença no desenvolvimento e na qualidade de vida dos pequenos pacientes.