Redação: Fernanda Amparo

 

Em cirurgias que exigem acesso direto ao coração, o caminho começa pela abertura do osso localizado no centro do peito. É uma etapa delicada: logo abaixo dele estão o coração e outros tecidos que precisam ser preservados durante o procedimento. 

No Hospital Universitário São Francisco de Paula (HUSFP), em Pelotas, essa etapa passou a contar com uma serra sagital de esterno de última geração. O equipamento não muda o tipo de cirurgia realizada, mas atualiza uma ferramenta utilizada em procedimentos cardíacos e, segundo o cirurgião cardiovascular Evandro Oss, aumenta a precisão e a segurança durante o corte.

A serra é usada em operações que precisam desse acesso para chegar ao coração, como cirurgias de ponte de safena, válvulas cardíacas, aorta e doenças congênitas. A tecnologia permite realizar o corte do osso com maior controle, reduzindo o risco de atingir as estruturas que ficam abaixo dele.

“Esse equipamento tem, vamos chamar de tecnologia, de poder serrar o osso e não atingir as partes moles, como o coração, que está abaixo do osso”, afirma Oss. 

A diferença, portanto, não está em tornar possível um procedimento que antes não acontecia. A instituição já utilizava equipamentos para abrir o esterno. A novidade está na ferramenta empregada nessa etapa da cirurgia. Para Oss, trata-se de uma evolução do serviço, com ganho de precisão e segurança.

O diretor do HUSFP, Cayo Lopes, também associa a aquisição à segurança do procedimento e ao período posterior à cirurgia. Segundo ele, a nova serra proporciona “mais segurança, conforto e qualidade” para profissionais e pacientes e torna o procedimento “mais seguro, menos agressivo”, com expectativa de melhora no resultado pós-operatório.

A aquisição integra uma série de atualizações de equipamentos realizadas pelo HUSFP a partir de demandas apresentadas pelas próprias equipes assistenciais. Segundo Lopes, a direção vem discutindo com os profissionais de diferentes linhas de cuidado quais são os recursos necessários para os serviços.

No primeiro semestre, o Hospital também recebeu uma nova mesa e uma torre cirúrgica. Na neurocirurgia, está em andamento a aquisição de um novo craniótomo. 

 

No caso da cirurgia cardiovascular, a nova serra é utilizada em uma etapa comum a diferentes operações. Embora seja um procedimento já conhecido pela equipe, a atualização do equipamento modifica as condições em que esse acesso é realizado.

Para o paciente, essa diferença acontece antes mesmo de a equipe chegar ao órgão que será tratado. É na abertura do tórax que começa o caminho até o coração, e é justamente nesse momento que a equipe médica aponta o ganho de precisão proporcionado pelo novo equipamento.